O grupo desembarca ao longo da costa, vários botes largam os soldados que têm de caminhar ainda pela rebentação da água manchada de vermelho, até chegar à areia. Sem muita fé vamos caminhando sempre de olhos postos no inimigo, a água gela-nos até aos ossos, por vezes podemos ver balas deslizando pela água tirando a vida a alguns de nós enquanto outros, poucos, vão saindo dela e pisam terra firme. O zumbir das balas e o disparar dos canhões transforma-se em algo ensurdecedor e crescente, aumentando em nós o terror da guerra e o medo da morte. Cada passo na areia, torna-se mais pesado ao vermos o grupo diminuir... As tentativas de nos protegermos das saraivadas são imensas mas os êxitos são escassos. Vejo um soldado ao meu lado confiante e seguro de si,algo explode ao longe e detritos são sacudidos no ar, o meu olhar vira se de novo para o soldado, desta vez caído por terra.
Na areia as crateras dos impactos são imensas, mas tornam-se uma boa protecção para quem quer viver.
Refugiados de toda a amalgama mortífera que não cessa, nem nos dá descanso, encosto-me a parede da cratera de costas voltadas para o inimigo, aperto arma contra mim...
Respiro fundo.
Levanto a cabeça e espreito. O meu olhar percorre a praia na direcção do inimigo. Lá ao longe duas enormes torres repletas de soldados alemães que disparam loucamente sem qualquer piedade. As duas torres assentes num declive que desce sobre a praia e protegido por trincheiras e redes de arame farpado.
Volto-me para dentro e olho desta vez para o mar. Lá longe as fragatas (nossas), impossibilitadas de se aproximar devido a canhões de longo alcance espalhados pela costa.
A esperança esvai-se, juntamente com muitas vidas.
O objectivo é tomar a praia, para que assim mais tropas possam desembarcar e continuar a tomar o território inimigo.
Desespero neste campo, neste quadro pintado em tons de horror debaixo do fogo inimigo e dos gritos agoniantes soltos enquanto se perdem vidas.
O que posso fazer? A minha arma não tem alcance suficiente para tirar a vida daqueles cães e aqui parado, torno me num alvo fácil para algum inimigo bem armado com uma mira telescópica.
Estes pensamentos abandonam-me quando dois soldados saltam, entrando na cratera, esquivando-se mesmo a tempo de uma razia de balas. Caem os dois aos meus pés, e tentando ajuda los apercebo me que nas roupas encharcadas de um deles nem tudo é agua do mar...
Ao saltar para dentro da cratera de impacto um dos homens foi apanhado por uma bala no abdómen. Tenho de o ajudar, tenho de lhe salvar a vida.
Aproveito um interromper de fogo na minha zona, levantando me de um salto, procuro por mais crateras com soldados refugiados. A quinze metros vejo alguns soldados que se protejem como eu dentro de uma cratera. O meu pensamento reza para que esteja lá um socorrista. Num tom apressado começo me a dirigir para eles, ao mesmo tempo que a intensidade das balas aumenta, na minha direcção.
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