Dois estranhos na rua, procurando um breve conforto, sentam os "rabiosques" numa esplanada de um qualquer café, enquanto que um garçon jovem, elétrico e preocupado os atende.
O individuo mais lingrinhas e amarelo puxa do cigarrito, levando-o a boca e de seguida tacteia que nem um louco pela chama da sua salvação.
Enquanto isto, o outro, anafado e branquinho que nem um "épa", implora secamente ao dito garçon por apenas 3 pasteis de nata, uma bola de berlim, um queque, uma tosta e um pãozinho de leite com manteiga, acrescentado ainda e como não podia faltar para não ficar embuchado um "compal light" (por causa da dieta é claro).
Muito delicadamente, o garçon pergunta ao outro individuo se deseja alguma coisa, e muito demoradamente ele tira o cigarrinho da boca, cospe o fumo para cima do pobre empregado e pede o belo do cafezinho, voltando a por o cigarro na boca e um ar distante e pensativo.
Quinze minutos passam e o garçon volta com uma pilha de pratos, bolos e um "compal light" numa mão, trazendo na outra uma chávena com um despreocupado e escaldante café.
O "fulano canceroso" (já no 4 cigarro) percorre com um rápido olhar a mesa, toda ocupada pelos pedidos do outro fulano, tira o cigarro da boca e com um esquelético braço tenta achar o seu café que rapidamente leva a boca e saboreia, perdendo por momentos o leve aroma a tabaco, trocado pelo da cafeína que rapidamente toma o controlo do corpo e modifica os pequenos olhos ligeiramente (abrem-se por 5 segundos e voltam ao normal).
O gordinho anafado que faz uma diferente dieta todos os dias, arregala os olhos ao ver o nobre manjar e emborca de uma só vez a pobre bola de Berlim que num ultimo adeus se despede do mundo e ainda solta um grito teatral digna de uma morte trágica. Um a um os bolos vão desaparecendo, por entre os olhinhos desgostosos do colega esfomeado que espera uma pequena oferenda.
A mesa está vazia, ao contrário de um deles, o garçon apressa-se para eles e espera... (como quem não quer a coisa) pelo pedido de pagamento, depois do forçoso trabalho.
Na mesa esta tudo calmo, o cigarro continua aceso, enquanto se ouve uma leve sinfonia composta por sons estomacais e alguns gazes a mistura.
Os minutos vão passando e já stressado o garçon dirige se aos dois cavalheiros que não se decidem a pedir a conta.
Num tom algo emproado os dois tomam conhecimento da quantia devida ao estabelecimento e olham furtivamente para o garçon, que ferve de vergonha por ter perdido a cabeça com tão pouco.
Ruidosamente as cadeiras são afastas, por consequente alguns trocos são espalhado pela mesa, outros pelo chão num acto de revolta, os dois afastam-se da esplanada muito empertigados pelo descaramento do garçon, que fica para trás, com o rabo espetado de baixo da mesa à procura da quantia total num chão repleto de beatas.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário