Sonho...
vejo um fogo em mim,
que arrefece o meu ser...
estou acordado,
sinto o corpo dormente
algo me tenta puxar
algo negro, maligno.
E o fogo em mim...
que é feito dele?
...
Entao?
Hoje nao há fogo?
sábado, 7 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Dia D
O grupo desembarca ao longo da costa, vários botes largam os soldados que têm de caminhar ainda pela rebentação da água manchada de vermelho, até chegar à areia. Sem muita fé vamos caminhando sempre de olhos postos no inimigo, a água gela-nos até aos ossos, por vezes podemos ver balas deslizando pela água tirando a vida a alguns de nós enquanto outros, poucos, vão saindo dela e pisam terra firme. O zumbir das balas e o disparar dos canhões transforma-se em algo ensurdecedor e crescente, aumentando em nós o terror da guerra e o medo da morte. Cada passo na areia, torna-se mais pesado ao vermos o grupo diminuir... As tentativas de nos protegermos das saraivadas são imensas mas os êxitos são escassos. Vejo um soldado ao meu lado confiante e seguro de si,algo explode ao longe e detritos são sacudidos no ar, o meu olhar vira se de novo para o soldado, desta vez caído por terra.
Na areia as crateras dos impactos são imensas, mas tornam-se uma boa protecção para quem quer viver.
Refugiados de toda a amalgama mortífera que não cessa, nem nos dá descanso, encosto-me a parede da cratera de costas voltadas para o inimigo, aperto arma contra mim...
Respiro fundo.
Levanto a cabeça e espreito. O meu olhar percorre a praia na direcção do inimigo. Lá ao longe duas enormes torres repletas de soldados alemães que disparam loucamente sem qualquer piedade. As duas torres assentes num declive que desce sobre a praia e protegido por trincheiras e redes de arame farpado.
Volto-me para dentro e olho desta vez para o mar. Lá longe as fragatas (nossas), impossibilitadas de se aproximar devido a canhões de longo alcance espalhados pela costa.
A esperança esvai-se, juntamente com muitas vidas.
O objectivo é tomar a praia, para que assim mais tropas possam desembarcar e continuar a tomar o território inimigo.
Desespero neste campo, neste quadro pintado em tons de horror debaixo do fogo inimigo e dos gritos agoniantes soltos enquanto se perdem vidas.
O que posso fazer? A minha arma não tem alcance suficiente para tirar a vida daqueles cães e aqui parado, torno me num alvo fácil para algum inimigo bem armado com uma mira telescópica.
Estes pensamentos abandonam-me quando dois soldados saltam, entrando na cratera, esquivando-se mesmo a tempo de uma razia de balas. Caem os dois aos meus pés, e tentando ajuda los apercebo me que nas roupas encharcadas de um deles nem tudo é agua do mar...
Ao saltar para dentro da cratera de impacto um dos homens foi apanhado por uma bala no abdómen. Tenho de o ajudar, tenho de lhe salvar a vida.
Aproveito um interromper de fogo na minha zona, levantando me de um salto, procuro por mais crateras com soldados refugiados. A quinze metros vejo alguns soldados que se protejem como eu dentro de uma cratera. O meu pensamento reza para que esteja lá um socorrista. Num tom apressado começo me a dirigir para eles, ao mesmo tempo que a intensidade das balas aumenta, na minha direcção.
Na areia as crateras dos impactos são imensas, mas tornam-se uma boa protecção para quem quer viver.
Refugiados de toda a amalgama mortífera que não cessa, nem nos dá descanso, encosto-me a parede da cratera de costas voltadas para o inimigo, aperto arma contra mim...
Respiro fundo.
Levanto a cabeça e espreito. O meu olhar percorre a praia na direcção do inimigo. Lá ao longe duas enormes torres repletas de soldados alemães que disparam loucamente sem qualquer piedade. As duas torres assentes num declive que desce sobre a praia e protegido por trincheiras e redes de arame farpado.
Volto-me para dentro e olho desta vez para o mar. Lá longe as fragatas (nossas), impossibilitadas de se aproximar devido a canhões de longo alcance espalhados pela costa.
A esperança esvai-se, juntamente com muitas vidas.
O objectivo é tomar a praia, para que assim mais tropas possam desembarcar e continuar a tomar o território inimigo.
Desespero neste campo, neste quadro pintado em tons de horror debaixo do fogo inimigo e dos gritos agoniantes soltos enquanto se perdem vidas.
O que posso fazer? A minha arma não tem alcance suficiente para tirar a vida daqueles cães e aqui parado, torno me num alvo fácil para algum inimigo bem armado com uma mira telescópica.
Estes pensamentos abandonam-me quando dois soldados saltam, entrando na cratera, esquivando-se mesmo a tempo de uma razia de balas. Caem os dois aos meus pés, e tentando ajuda los apercebo me que nas roupas encharcadas de um deles nem tudo é agua do mar...
Ao saltar para dentro da cratera de impacto um dos homens foi apanhado por uma bala no abdómen. Tenho de o ajudar, tenho de lhe salvar a vida.
Aproveito um interromper de fogo na minha zona, levantando me de um salto, procuro por mais crateras com soldados refugiados. A quinze metros vejo alguns soldados que se protejem como eu dentro de uma cratera. O meu pensamento reza para que esteja lá um socorrista. Num tom apressado começo me a dirigir para eles, ao mesmo tempo que a intensidade das balas aumenta, na minha direcção.
Dois estranhos na rua, procurando um breve conforto, sentam os "rabiosques" numa esplanada de um qualquer café, enquanto que um garçon jovem, elétrico e preocupado os atende.
O individuo mais lingrinhas e amarelo puxa do cigarrito, levando-o a boca e de seguida tacteia que nem um louco pela chama da sua salvação.
Enquanto isto, o outro, anafado e branquinho que nem um "épa", implora secamente ao dito garçon por apenas 3 pasteis de nata, uma bola de berlim, um queque, uma tosta e um pãozinho de leite com manteiga, acrescentado ainda e como não podia faltar para não ficar embuchado um "compal light" (por causa da dieta é claro).
Muito delicadamente, o garçon pergunta ao outro individuo se deseja alguma coisa, e muito demoradamente ele tira o cigarrinho da boca, cospe o fumo para cima do pobre empregado e pede o belo do cafezinho, voltando a por o cigarro na boca e um ar distante e pensativo.
Quinze minutos passam e o garçon volta com uma pilha de pratos, bolos e um "compal light" numa mão, trazendo na outra uma chávena com um despreocupado e escaldante café.
O "fulano canceroso" (já no 4 cigarro) percorre com um rápido olhar a mesa, toda ocupada pelos pedidos do outro fulano, tira o cigarro da boca e com um esquelético braço tenta achar o seu café que rapidamente leva a boca e saboreia, perdendo por momentos o leve aroma a tabaco, trocado pelo da cafeína que rapidamente toma o controlo do corpo e modifica os pequenos olhos ligeiramente (abrem-se por 5 segundos e voltam ao normal).
O gordinho anafado que faz uma diferente dieta todos os dias, arregala os olhos ao ver o nobre manjar e emborca de uma só vez a pobre bola de Berlim que num ultimo adeus se despede do mundo e ainda solta um grito teatral digna de uma morte trágica. Um a um os bolos vão desaparecendo, por entre os olhinhos desgostosos do colega esfomeado que espera uma pequena oferenda.
A mesa está vazia, ao contrário de um deles, o garçon apressa-se para eles e espera... (como quem não quer a coisa) pelo pedido de pagamento, depois do forçoso trabalho.
Na mesa esta tudo calmo, o cigarro continua aceso, enquanto se ouve uma leve sinfonia composta por sons estomacais e alguns gazes a mistura.
Os minutos vão passando e já stressado o garçon dirige se aos dois cavalheiros que não se decidem a pedir a conta.
Num tom algo emproado os dois tomam conhecimento da quantia devida ao estabelecimento e olham furtivamente para o garçon, que ferve de vergonha por ter perdido a cabeça com tão pouco.
Ruidosamente as cadeiras são afastas, por consequente alguns trocos são espalhado pela mesa, outros pelo chão num acto de revolta, os dois afastam-se da esplanada muito empertigados pelo descaramento do garçon, que fica para trás, com o rabo espetado de baixo da mesa à procura da quantia total num chão repleto de beatas.
O individuo mais lingrinhas e amarelo puxa do cigarrito, levando-o a boca e de seguida tacteia que nem um louco pela chama da sua salvação.
Enquanto isto, o outro, anafado e branquinho que nem um "épa", implora secamente ao dito garçon por apenas 3 pasteis de nata, uma bola de berlim, um queque, uma tosta e um pãozinho de leite com manteiga, acrescentado ainda e como não podia faltar para não ficar embuchado um "compal light" (por causa da dieta é claro).
Muito delicadamente, o garçon pergunta ao outro individuo se deseja alguma coisa, e muito demoradamente ele tira o cigarrinho da boca, cospe o fumo para cima do pobre empregado e pede o belo do cafezinho, voltando a por o cigarro na boca e um ar distante e pensativo.
Quinze minutos passam e o garçon volta com uma pilha de pratos, bolos e um "compal light" numa mão, trazendo na outra uma chávena com um despreocupado e escaldante café.
O "fulano canceroso" (já no 4 cigarro) percorre com um rápido olhar a mesa, toda ocupada pelos pedidos do outro fulano, tira o cigarro da boca e com um esquelético braço tenta achar o seu café que rapidamente leva a boca e saboreia, perdendo por momentos o leve aroma a tabaco, trocado pelo da cafeína que rapidamente toma o controlo do corpo e modifica os pequenos olhos ligeiramente (abrem-se por 5 segundos e voltam ao normal).
O gordinho anafado que faz uma diferente dieta todos os dias, arregala os olhos ao ver o nobre manjar e emborca de uma só vez a pobre bola de Berlim que num ultimo adeus se despede do mundo e ainda solta um grito teatral digna de uma morte trágica. Um a um os bolos vão desaparecendo, por entre os olhinhos desgostosos do colega esfomeado que espera uma pequena oferenda.
A mesa está vazia, ao contrário de um deles, o garçon apressa-se para eles e espera... (como quem não quer a coisa) pelo pedido de pagamento, depois do forçoso trabalho.
Na mesa esta tudo calmo, o cigarro continua aceso, enquanto se ouve uma leve sinfonia composta por sons estomacais e alguns gazes a mistura.
Os minutos vão passando e já stressado o garçon dirige se aos dois cavalheiros que não se decidem a pedir a conta.
Num tom algo emproado os dois tomam conhecimento da quantia devida ao estabelecimento e olham furtivamente para o garçon, que ferve de vergonha por ter perdido a cabeça com tão pouco.
Ruidosamente as cadeiras são afastas, por consequente alguns trocos são espalhado pela mesa, outros pelo chão num acto de revolta, os dois afastam-se da esplanada muito empertigados pelo descaramento do garçon, que fica para trás, com o rabo espetado de baixo da mesa à procura da quantia total num chão repleto de beatas.
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